Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Alves Redol, o escritor que leu magistralmente o espírito do tempo faria hoje cem anos.

Quando, em 1939, Alves Redol publica Gaibéus, obra inaugural da literatura neo-realista, já a mão de ferro do regime Salazarista pairava sobre Portugal: estavam proibidos os partidos políticos, existia uma Constituição de inspiração fascista, uma polícia política (PIDE) e a prisão do Tarrafal. O livro, mais do que um retrato sobre luta de classes na lezíria ribatejana, afirma-se então como uma leitura profética do espírito do tempo e mostra que este autor é dono de uma obra ficcional vasta e complexa que ultrapassa as fronteiras ideológicas. Nascido em Vila Franca de Xira a 29 deDezembro de 1911, António Alves Redol, deixou uma vasta obra publicada, com contos, romances, teatro e histórias para a infância, num total de 34 títulos. O centenário do nascimento do escritor Alves Redol, um dos mais importantes nomes do Neo-realismo português, é hoje assinalado em Vila Franca de Xira com uma sessão evocativa no Museu do Neo-Realismo.
A efeméride tem vindo a ser celebrada ao longo do ano pelo museu com exposições, exibição de filmes e leituras encenadas, e irá prolongar-se até Janeiro de 2012.
As comemorações prosseguem em 2012 com a entrega do Prémio Literário Alves Redol, nas variantes de romance e conto, numa data ainda a anunciar. Entre 19 e 21 de Janeiro, tem lugar a o Congresso Internacional «Centenário de Alves Redol», organizado em conjunto com o Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
«Alves Redol, o humano para além das ideologias».


Fonte: DN



Consulte as obras deste autor no catálogo da BME

1 comentários:

gloria fernandes disse...

Estou a ler o livro (Gaibéus) e estou a adorar, não só pelo conteudo como também pela maneira muito pura do escritor.
A sua maneira de dar voz aqueles que são designados, os Gaibéus é uma forma de dar a conhecer, aos mais novos como eram então as vidas daquelas gentes que trabalhavam de sol a sol.